sábado, 21 de janeiro de 2017

Correspondências, de Clarice Lispector

Li Correspondências, de Clarice Lispector e vou deixar alguns fragmentos de assuntos que me interessam, tais como: os filmes que ela assistiu, os livros que leu, os lugares em que ela morou ou turistou, choques culturais e até receitas. Vou começar com cartas de amor:


Sendo fofa com aquele que viria a ser seu marido e pai de seus filhos, Maury Gurgel Valente


"Somente uma coisa me faria bem agora. Seria adormecer com a cabeça no seu colo, você me dizendo bobagenzinhas gostosas pra eu esquecer a ruindade do mundo. Vou dormir pensando nisso"
"tinha vontade de fazer um embrulho de mim, com papel de seda, lacinho de fita, e mandá-lo pra você. Aceita?"
Resposta dele: "Eu topo integralmente a ideia de receber você num embrulhinho, com laço de fita e tudo. Manda, meu bem, que eu ponho debaixo do travesseiro. Assim, só pensarei em coisas boas."
Ela tentando defini-lo e ele vem com essa: "Então você pensa que me apanha numa definição? As definições são asfixiantes e eu gosto de liberdade". 

Solidao e aborrecimentos


"Estou bastante acostumada a estar só, mesmo junto dos outros". (À Maury)
"Estou cansada de pessoas e sozinha me aborreço. Eu mesma não sei o que quero" (À Tania Kaufmann)
"tenho impressão de que quando eu for velha hei de praguejar o tempo todo" (À Lucio Cardoso)

Leituras e livros:


Aldous Huxley
"Sua carta veio justamente depois de uma noite de quase-insônia, de sonhos malucos e de Huxley." (À Maury)
Resposta de Maury com indicaçao de livro: 
É isso mesmo, você anda lendo Huxley. Leia o fim do “Contraponto”, também, “of suchs is the kingdom of heaven”

Gustave Flaubert
"Caiu-me plenamente nas mãos Madame Bovary, que eu reli. Aproveitei a cena da morte para chorar todas as dores que eu tive e as que eu não tive." (À Lucio Cardoso)

Rosamond Lehmam
"Estive relendo um livro de Rosamond Lehmam, passagens sobre crianças, coisas adoráveis." (À Tania Kaufmann)

André Gide e Katherine Mansfield
"Reli a Porta estreita de Gide, sobretudo encontrei as Cartas de K. Mansfield. Não pode haver uma vida maior que a dela, e eu não sei o que fazer simplesmente. Que coisa absolutamente extraordinária que ela é."
"Talvez você ache o título mansfildeano porque você sabe que eu li ultimamente as cartas da Katherine." (À Lucio Cardoso)

Rainer Maria Rilke e Marcel Proust
"É ótimo falar com ele (Paulo Mendes) sobre livros dos quais a gente gosta. Ele me emprestou os Cahiers de Malte, de Rilke, e pedaços escolhidos de Proust." (À Lucio Cardoso)

Policiais e Jean Giraudoux 
Estou lendo em italiano e romances policiais também. Li Anfitrião 38 (peça teatral de Jean Giraudoux). (À Lucio Cardoso)

Proust (de novo) e Poussière
"Assim, eu estava lendo Poussière e encontrei uma coisa quase igual a uma que eu tinha escrito. E agora que estou lendo Proust, tomei um choque ao ver nele uma mesma expressão que eu tinha usado no Lustre, no mesmo sentido, com as mesma palavras. A expressão não é grande coisa, mas nem sendo medíocre se chega a não cair nos outros.
Estou lendo À sombra das rap’rigas eim floire, como traduziram os portugueses, estou lendo em francês naturalmente. Eu pensava que ia gostar de Proust como se gosta das coisas esmagadoras; mas com grande surpresa vejo que tenho um prazer enorme e sincero em lê-lo, acho-o naturalíssimo, nada cacete, nada imponente, pelo contrário, de uma modéstia intelectual que nunca se sacrifica por um brilho, por uma imagem; você concorda? diga." (À Lucio Cardoso)

Emily Brontë
"Minha irmã Elisa mandou-me uma tradução sua de Emily Brontë, ainda não li de tão cheia de mil pequenas ocupações esses dias." (À Lucio Cardoso)
"Um dia desses eu acordei com uma moleza de gripe e depois do café voltei para a cama. Achei então que era um bom momento para ler as poesias de Emily Brontë. Como ela me compreende, Lúcio, tenho vontade de dizer assim. Há tanto tempo eu não lia poesia, tinha a impressão de ter entrado no céu, no ar livre. Fiquei até com vontade de chorar mas felizmente não chorei porque quando choro fico tão consolada, e eu não quero me consolar dela; nem de mim. Você está rindo?" (À Lucio Cardoso)

Julien Green
"Julien Green para mim é dos maiores e foi minha paixão por muito tempo (só deixou de ser porque também as paixões literárias vão se apagando, sem se saber por quê). Mas ainda o venero, apesar de seus últimos livros terem decaído muito." (À Tania Kaufmann)

Tomás de Kempis
"Quanto às leituras, variadas, provavelmente erradas, a mais certa é a Imitação de Cristo, mas é muito difícil imitá-Lo, e isso é menos óbvio do que parece. "(À Fernando Sabino)

Nao leu Harper Lee
"Não li To Kill a Mocking Bird e não conheço o autor. Depois você me conta. (À Paulo Gurgel Valente)"

Livros do Brasil
"Recebo poucas notícias do Brasil, e quase nada de livros, nem sei o que se publica. Me mandaram Sagarana, Água funda e A busca, os três ótimos." (À Lucio Cardoso)

Criticas:

O critico deu a entender que ela estava copiando Virginia, Proust e Joyce, sendo que ela nem os tinha lido ainda.
"Escrevi para ele dizendo que não conhecia Joyce nem Virginia Woolf nem Proust quando fiz o livro, porque o diabo do homem só faltou me chamar “representante comercial” deles." (À Tania Kaufmann)
"Imagine que depois que li o artigo de Álvaro Lins, muito surpreendida, porque esperava que ele dissesse coisas piores, escrevi uma carta para ele, afinal uma carta para ele, afinal uma carta boba, dizendo que eu não tinha “adotado” Joyce ou Virginia Woolf, que na verdade lera a ambos depois de estar com o livro pronto." (À Lucio Cardoso)

Cinema

"Vi um filme idiota onde o rapaz dizia: eu gosto de você. E a moça dizia: eu sei, mas não gosto do jeito pelo qual você ama as pessoas. Eu sei, é preciso dar muito mais o que dou. É também de minha natureza carregar nos ombros a culpa do mundo. Se todos sentissem isso talvez saísse um novo mundo. Uma pessoa só pode apenas sucumbir. Foi isso que fiz chorando no cinema e aliviando uma mágoa confusa." (À Tania Kaufmann e Elisa Lispector)
"Temos ido ao cinema. Revi a Estranha passageira e realmente o filme, que não é novo em técnica ou em originalidade especial, tem uma linda história, cheia de sugestões e de conselhos discretos. Em Casablanca fui com o Cônsul americano ao cinema da Cruz Vermelha e vi Ladies in Washington. Não tem evidentemente letreiros em português, mas eu entendo tudo ou quase tudo; é uma questão de prática." (À Tania Kaufmann e Elisa Lispector)
"Em cidade pequena, até os filmes são ordinários, de far-west e comédias, de um modo geral. Fiquei radiante de você ter visto Ladrões de bicicleta. Não é mesmo um dos maiores filmes que já fizeram? Talvez mesmo o maior. Imagine que entramos no cinema para vê-lo sem nenhuma referência anterior, apenas porque o diretor era bom. Imagine o choque e a surpresa." (À Tania Kaufmann)
"Fui ver um filme impressionante: O bebê de Rosemary. É de arrepiar os cabelos. Mas se você for, tem que ir bem no princípio."
"Estou esperando um filme chamado Teorema, com o diretor italiano Pasolini. Você viu? Houve um festival de cinema aqui no Rio, mas a multidão era tal que se tornava impossível chegar perto dos cinemas. Espero vê-los em circuito normal."(À Paulo Gurgel Valente)

Exposiçao


"Fomos há pouco ver uma exposição de pinturas holandesa, de Van Gogh para cá. Eu estava vendo pacificamente com a cabeça. De repente vi um pequeno quadro Vers le Soir, de um pintor chamado Karsen. Entendi muito bem o que você disse, Tania, sobre a paisagem que se misturou com você. Esse quadrinho finalmente me dominou. É uma casa no cair da noite. Não posso descrever. Tem umas escadas, umas heras, o branco é azulado e tudo um pouco escuro; tem umas estacas – é um fim de caminho com mato."


Conselho que deu à irmã

"Você está toda viva! Somente você tem levado uma vida irracional, uma vida que não parece com você. Tania, não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso – nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro. Nem sei como lhe explicar, querida irmã, minha alma. Mas o que eu queria dizer é que a gente é muito preciosa, e que é somente até certo ponto que a gente pode desistir de si própria e se dar aos outros e às circunstâncias. Depois que uma pessoa perder o respeito de si mesma e o respeito de suas próprias necessidades – depois disso fica-se um pouco um trapo. Eu queria tanto, tanto estar junto de você e conversar, e contar experiências minhas e de outros. Você veria que há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo." (À Tania Kaufmann)

Condiçao feminina no Brasil

So para constar que a luta vem de longe e nada mudou.
"Uma das vereadoras (Lia Correa Dutra é vereadora agora, tomou posse um dia destes), uma senhora que se chama Ligia Lessa Bastos (talvez v. conheça, eu, não) está se batendo no Conselho, pela criação de uma “Casa para a Mãe Solteira” e então apareceram estatísticas. Vou reproduzir para v. tomar conhecimento. A gente sabe que existe muito no Brasil, país católico, que não admite divórcio e outras coisas, sem falar nos preconceitos, mas as cifras falam mais alto". (De Bluma Wainer)

Amigos expatriados contando suas experiências


Tenho dado muitas gafes aqui com o meu pobre inglês. Uma: entrei num Drugstore para comprar remédio para dor de cabeça e acabei levando uma loção para cabelos. Tenho tido muitos pesadelos. Um: ontem sonhei com um rato encravado na parede, guinchando de dor. Tenho reformado muitos conceitos. Tenho feito descobertas importantes, por exemplo: o pecado é simplesmente tudo o que Cristo não fez. Tenho conhecido sujeitos famosos, por exemplo: Duke Ellington. Tenho tido muito pouco dinheiro. Tenho tido muitas oportunidades de ficar calado. Tenho tido muita decepção com os Correios. Tenho tido cansaço, saudade e calma. Tenho bebido muito, muito, muito. Tenho lido os suplementos dominicais. Tenho tido vontade de voltar. Tenho escrito muitas cartas para você. Tenho dormido muito pouco. Tenho xingado muito o Getúlio. Tenho tido muito medo de morrer. Tenho faltado muita missa aos domingos. Tenho tido muita pena de Helena ter se casado comigo. Tenho tido dor de dente. Tenho certeza que não volto mais. Tenho contado muito nos dedos. Tenho franzido muito o sobrolho. Tenho falado muito com os meus botões. Tenho tido muita vontade de brincar. Tenho feito muitas manifestações de apreço ao Senhor Diretor. Clarice, estou perdido no meio de tantos particípios passados. Estou com vontade de fumar e o meu cigarro acabou, estou com vontade de namorar de tarde numa pracinha cheia de árvores, estou com muitas saudades de mamãe. 
(...)
Fernando Sabino é realmente um ser de comovente estupidez: no Brasil, tinha casa, amigos, emprego melhor, automóvel (se bem que...), chope no Alcazar, Rubem Braga, Moacir, livros na estante, cartas da família, doenças do Pagé, discussão com Nicodemus, sol na varanda, café na esquina, jornais pela manhã. Aqui ele não tem nada disso e ainda ganha menos, trabalha mais, se literatiza abominavelmente, finge que sabe inglês, é empurrado de tarde no subway, leva desaforo pra casa, come comida sem sal, toma café sem açúcar, e para o mal dos pecados nunca saberá com antecedência quando é que vai voltar.
(De Fernando Sabino)
Resposta de Clarice:  "Não cesso de imaginar vocês em New York e não sei como. Como é que Heleninha fala no meio da cidade? E você trabalha de noite num arranha-céu? e os arquivos? Só agora é que vejo que vocês no Rio eram uma das garantias que eu procurava. Por que é que todo mundo quer sair do Brasil?"
Quanto tempo na realidade vão ficar nos EEUU? Paulo diz que vocês ficarão seis meses apenas... Desejo muita felicidade a vocês. Sejam muito felizes: estou com vontade de dar conselhos grandiosos, dizendo: custa um pouco adaptar-se a um lugar novo etc. 

Bluma vai para o Brasil e quem sabe se de lá sairá ou quando. Sei q. é bom voltar – sinto saudades daquilo e sei mesmo q. vivendo aqui, não seria inteiramente feliz – faltar-me-ia o Brasil, mas agora q. sei q vou para ficar, q sei q vou deixar Paris, analiso melhor como esta cidade já é uma coisa na minha vida. (De Bluma Wainer)

Você foi a Paris ou vai? Que bom, se eu pudesse ir esperar você na estação. Clarice, queria que v. visse como o Sam tem saudades de Paris. O rapaz está doente e a doença é “parisite”. Que eu tenho também, é verdade. Não quero nem pensar que não voltarei lá. Ao contrário, penso sempre que voltarei e não muito tarde. Não sorria pensando que deixei de gostar do Brasil, não. Mas está acontecendo o que aconteceu quando cheguei dos E.U. – tudo e todos me aborreciam e eu não queria de jeito nenhum viver nos E.U. e naquele período, encontrei um grande trabalho político que me tomava todo o tempo. E hoje, encontro todo mundo pessimista, sem elã para nada. 
Desculpe Clarice, sei bem como v. desejaria voltar, porém creia – e v. sabe como queria voltar eu mesma –, a gente nem imagina o quanto aprende e quanto de bem nos faz estar um pouco fora. Sei, bichinha, que v. já está cansada de “ver coisas”. Mas lhe diz aqui essa sua irmã-postiça, não fique triste por não voltar agora para o Brasil. O lado sentimental, pessoal, essa tristeza gostosa talvez seja até melhor do que sentir essa tristeza que a gente não pode remediar, que é o Brasil de hoje. Eu sabia disso. É verdade, mas é que a gente, de longe, não pode impedir que nossa imaginação funcione e aqui, verifica-se que os homens pioram em vez de melhorarem e que a realidade é bem outra e tudo isso, mesmo para v. que não se mete nestas coisas de política, tenho certeza, ficaria triste mesmo sem sentir.
(De Bluma Wainer)

E você tem bem razão de não querer sair do Brasil. Se sair, que seja por pouco tempo, só para dar uma espiada, e voltar. É ruim estar fora da terra onde a gente se criou, é horrível ouvir ao redor da gente línguas estrangeiras, tudo parece sem raiz; o motivo maior das coisas nunca se mostra a um estrangeiro, e os moradores de um lugar também nos encaram como pessoas gratuitas. Para mim, se foi bom, como um remédio é bom pra saúde, ver outros lugares e outras pessoas, já há muito está passando do bom, está no ruim nunca pensei ser tão inadatável (sic), nunca pensei que precisava tanto das coisas que possuo. Embora agora mesmo esteja envergonhada de ser assim, porque enquanto escrevo a catedral está batendo os sinos; fico envergonhada de não viver bem em qualquer lugar onde uma catedral bata sinos, onde haja um rio, onde as pessoas trabalhem e façam compras; mas é assim mesmo. (À Lucio Cardoso)

Querida, quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma num boi? assim fiquei eu..., em que pese a dura comparação... Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus aguilhões – cortei em mim a força que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também minha força. Espero que você nunca me veja assim resignada, porque é quase repugnante. Espero que no navio que nos leve de volta, só a ideia de ver você e de retomar um pouco minha vida – que não era maravilhosa mas era uma vida – eu me transforme inteiramente. Mariazinha, mulher do Milton, um dia desses encheu-se de coragem, como ela disse, e me perguntou: você era muito diferente, não era? Ela disse que me achava ardente e vibrante, e que quando me encontrou agora se disse: ou esta calma excessiva é uma atitude ou então ela mudou tanto que parece quase irreconhecível. Uma outra pessoa disse que eu me movo com uma lassidão de mulher de cinquenta anos.  (À Tania Kaufmann)

Receitas


– Você gosta de comer coisa boa? Então experimente fios de ovos com creme de leite Nestlé. A gente não tem vontade de acabar nunca.

 – Esquente uma colher de sobremesa de vinho tinto, esquente uma xícara de café com açúcar, misture tudo e beba devagarzinho. Dá um gosto bom no coração.

– Experimente mocotó. Demora a cozinhar e leva tempero. Mande fazer um pirão com o caldo. É forte, é potente, dá força humana. É capaz de você odiar!!! (À Andréa Azulay)

PS: Eu, Ana, fiz essa do café com vinho, é muito bom mesmo!

Turistando

Sobre as mulheres de BH: "As mulheres daqui são quase todas morenas, baixinhas, de cabelo liso e ar morno. Aliás, quase que só há homens nas ruas. Elas, parece, se recolhem em casa e cumprem seu dever, dando ao mundo uma dúzia de filhos por ano. (À Lucio Cardoso)

Visita à Casablanca
"Na verdade eu não sei escrever cartas sobre viagens; na verdade nem sei mesmo viajar. É engraçado como, ficando pouco em lugares, eu mal vejo. Acho a natureza toda mais ou menos parecida, as coisas quase iguais. 
Casablanca é bonitinho, mas bem diferente do filme Casablanca... As mulheres mais do povo não carregam véu. É engraçado vê-las com manto, véu, e vestido às vezes curto, aparecendo sapatos (e soquete) tipo Carmem Miranda. A cidade não tem muita marca oriental, é cheia de soldados americanos, franceses e ingleses." (À Tania Kaufmann e Elisa Lispector)

"Nunca vi ninguém menos turista. (Vi muitas coisas mas não só tenho preguiça de contar, como de lembrar.)
As coisas são iguais em toda a parte – eis o suspiro de uma mulherzinha viajada. Os cinemas do mundo inteiro se chamam Odeon, Capitólio, Império, Rex, Olímpia; as mulheres usam sapato Carmem Miranda, mesmo quando usam véu no rosto. A verdade continua igual: o principal é a gente mesmo e só a gente não usa Sapatos Carmem Miranda." (À Lucio Cardoso)

Paris
Estivemos em Paris andando desde manhã até de noite. Aquela cidade é doida, é maravilhosa. Não consegui absorvê-la, ter uma ideia só. (À Fernando Sabino)

Não sei se estou louca por Paris. É difícil dizer. Com a vida assim parece que sou “outra pessoa” em Paris. É uma embriaguez que não tem nada de agradável. Tenho visto pessoas demais, falado demais, dito mentiras, tenho sido muito gentil. Quem está se divertindo é uma mulher que eu não conheço, uma mulher que eu detesto, uma mulher que não é a irmã de vocês. É qualquer uma. É por isso também que não tenho escrito. Não pensem que Clarice está se divertindo tanto que não tem tempo de escrever. Tempo eu tenho, mas escrever para vocês pediria uma concentração que estou evitando porque se eu me concentrar uma vez, passo a não querer ver tanta gente e a estragar o programa de Maury. Eu amo vocês. E Paris é ótimo e até conheci pessoas ótimas. (À Tania Kaufmann e Elisa Lispector)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

A musica feminista da Arabia Saudita

Em dezembro, o artista Majed Al-Esa publicou um video no Youtube e hoje ja conta com mais de 3 milhoes de visualizaçoes. Do que se trata? De feminismo.
O artista é um homem, mas passou o protagonismo para as mulheres, elas que cantam e atuam no videoclipe.
O video começa com as mulheres dentro de um carro e o motorista é um menino (Na Arabia Saudita as mulheres sao proibidas de dirigir).
Em seguida, elas andam de patins, patinete, triciclo, jogam basquete e boliche, vao ao parque de diversoes (elas sao proibidas de fazer tudo isso. Ja falei do filme O Sonho de Wadjda que aborda esta questao).
E o que diz a letra? Eu vi a traduçao em francês e eu traduzi para o português: Elas repetem varias vezes: "Que Deus nos livre dos homens! O homens nos deixam doentes psicologicamente. Eles nos deixam loucas."
Aproveitem para curtir o video no Youtube porque os mascus nao curtiram.


Outra musica que denuncia esse absurdo de que mulher nao pode dirigir por la, é "Bad Girls", da M.I.A. ja falei deste clipe aqui, mas vou postar de novo, porque sim.



terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Retrospectiva 2016: Filmes e séries

Filmes assistidos em 2016

Para meu projeto Mulheres na Direçao, assisti a varios filmes dirigidos por elas, nao fiz resenha para todos, mas as que fiz podem ser consultadas nos links abaixo:
Mulheres na direçao: Margarethe von Trotta (Alemanha)

Minha lista "Mulheres na direçao" no Filmow ja tem 1808 filmes cadastrados, 793 pessoas inscritas (obrigada, gente linda!) e 185 filmes que assisti até agora. Este projeto eu estou levando para vida inteira, entao ele continuara em 2017.

O projeto Cineastas e filmes do Québec anda devagar quase parando. Assisti a apenas dois filmes este ano, além dos filmes do Léa Pool para o Mulheres na Direçao.

Les Êtres chers é um drama dirigido pela Anne Émond. É meio down, nao assistam se vocês estao tristes ou depressivos. Narra a historia de uma familia com depressao hereditaria: o avô passou para o pai que passou para filha.

Arrival é um filme sci-fi dirigido por um dos meus diretores favoritos do Québec, Denis Villeneuve, o mesmo diretor de Prisoners, Incendies, Polytechnique, Enemy, etc. É um filme sobre linguagem e comunicaçao muito interessante. Sem falar na atuaçao brilhante da Amy Adams. Para mim é o melhor filme do ano entre os que eu assisti.



Cinema brasileiro: Assisti ao filme Aquarius, de Kleber Mendonça, o unico filme brasileiro que entrou na programaçao do Festival de Cinéma de la Ville de Québec. Adorei Clara, o apê dela, os discos, a rebeldia de dizer nao.


The Girl King, dirigido por Mika Kaurismaki, é um drama historico que narra a historia da rainha Cristina, da Suécia, no séc. XVII. Ela foi educada como menino para que pudesse herdar o trono, vestia-se como "menino" e apaixonou-se por uma mulher, por isso o titulo do filme é O Rei-Menina.
Era filha unica e com a morte de seu pai na guerra entre catolicos e protestantes (Guerra dos 30 anos), ela é proclamada "rei" com 18 anos. Como foi criada com menino, ela recusa toda autoridade masculina sobre ela, isso fara dela uma espécie de precursora do feminismo. Dos grandes feitos enquanto rainha, ela poe fim à Guerra, através do tratado de Westphalie, prometeu transformar Estocolmo em uma nova Atenas em termos de cultura e conhecimento. Constroi teatros, museus, bibliotecas. Torna-se amiga de Diderot, Pascal, Spinoza, Leibniz e troca cartas com eles sobre filosofia, medicina, etc. Também sabia 8 idiomas. Apos abdicar o trono, converte-se ao catolicismo e passa a ser conhecida como  "A Rainha Virgem", pois nunca casou com um homem nem teve herdeiros (LOL). Apesar dos pesares, como ja mencionei anteriormente neste blog, a religiao catolica era a unica opçao que a mulher tinha para fugir de um casamento. Elas podiam entrar para vida monastica e serem noivas de Cristo.
O filme é lindo, mas focou muito no caso amoroso dela e todos seus feitos politicos importantes deixou a desejar, falou de tudo um pouco meio en passant. Ela nao é so rainha da Suécia, mas é rainha das tomboys, das les, das mulheres em geral e dos sagitarianos. Poderosissima! Vou procurar uma bio sobre ela.

Netflix


Finding Vivian Maier é um documentario de John Maloof. Narra a vida desta fotografa franco-americana. Em vida, ela era uma pessoa muito excêntrica, solitaria e trabalhou como baba em varias casas de familia. Andava sempre com uma câmera fotografica no pescoço tirando fotos de tudo, mas nunca relevou os negativos. Morreu na miséria sem usufruir do sucesso que viria a ter em seguida. 
John Maloof comprou em um leilao uma caixa cheia de filmes, fitas e negativos e ao analisar o material, viu que era muito profissional. Entao ele passa a pesquisar quem era aquela fotografa e descobriu que era uma pessoa comum e desconhecida. Muito tocante a historia dela! Ela tinha um lado sombrio muito triste.



Love, de Gaspar Noé. Nao sei explicar esse meu caso de amor e repugnância pelos filmes do Gaspar. Assisto sempre enojada, mas sempre assisto. É uma histora de amor triste e doentia.


The Sessions, de Ben Lewin. É um filme bem honesto sobre sexualidade de pessoas com deficiência fisica. Helen Hunt arrasou no papel de terapeuta.

Séries



Assisti à primeira temporada da Série Vinyl, produzida por Martin Scorsese e Mick Jagger. Conta a historia de um produtor musical na década de 70, Richie Finestra que busca novos artistas para alavancar a todo custo sua gravadora.

Assisti na Netflix a primeira temporada de Stranger Things. So assisti até o fim porque assisto tudo que Winona Ryder faz e porque adorei a Eleven, sao as duas que salvam a série.

Segunda temporada de Mozart in the Jungle. Adoro!!!

Quarta temporada de Orphan Black. Félix é o amigo que todo mundo queria ter, mas nao tem. Cosima e Delphine ♥


O revival de Gilmore Girls: Foi bom rever todo mundo, mas nao achei la grande coisa, foi menor que minha expectativa. Ja comentei em outros posts. 


Sense 8 especial de Natal: A aula de do Hernando sobre tolerância poderia ser adotada em todas escolas do mundo. Lito saindo do armario e enfrentando a sociedade machista mexicana foi lindo. Teve surubinha com todo mundo, as pessoas acham exagero, mas eu acho é pouco! Adoro! O resto do especial foi encheçao de linguiça, so para matar a saudade mesmo. Este ano teremos a segunda temporada. Yay!

Veja também: Retrospectiva de leituras, cds e shows

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

DocumentYourLife: Jornal das minhas loucuras privadas n.8

Eu nao tinha publicado o jornal n 8, ele estava em modo rascunho desde novembro de 2015. Como nada segue uma ordem neste blog, vou publica-lo agora. Quando escrevi, estava na vibe freudiana sobre sonhos e refletindo sobre leituras.

Estava com uma mania de anotar sonhos, mas parei. Pareceu-me interessante, porém nao tive tempo para refletir sobre isso e como nao estou em terapia, nao posso discutir com um analista. Eu ja disse que estou precisando urgente de um psi, né? Preciso mais que ar para respirar, porque sem terapia e medicamento, nem respirar sozinha eu consigo.

04/11 Quarta

Sonhei que estava andando em um tunel, nos trilhos, sem saber em qual direçao o trem viria. Isso so prova o quao sem rumo estou na vida. Se ao menos eu visse uma luz no fim do tunel, teria esperanças, mas nem isso.


06/11 Sexta

Estou anotando os sonhos para tentar fazer uma relaçao com a realidade, vi isso no livro "A interpretaçao dos sonhos", do Freud.
Strümpell (1877, 39): “Há casos em que a análise de um sonho demonstra que alguns de seus componentes, na realidade, provêm de experiências do dia precedente ou do dia anterior a este, mas de experiências tão sem importância e tão triviais, do ponto de vista da consciência de vigília, que foram esquecidas logo após sua ocorrência. As experiências dessa natureza incluem, por exemplo, observações acidentalmente entreouvidas, ações desatentamente observadas de outra pessoa, vislumbres passageiros de pessoas ou coisas, ou fragmentos isolados do que se leu, e assim por diante.

Sonhei que um porco enorme me atacava. A unica relaçao que consegui fazer foi que antes de dormir, estava lendo um livro que mencionava porcos. Nao satisfeita, pesquisei no oraculo Google, ai vi que sonhar com porco atacando significa que momentos dificeis virao. Melhor ficar com a versao freudiana mesmo, ou seja, um fragmento isolado do que eu li, porque pior nao da para ficar.

Por que eu leio? Por que escrevo?

Nao leio porque sou inteligente, pelo contrario, leio porque sou ignorante e preciso alimentar-me de algo que preencha todo os espaços vazios do meu ser. Também leio para fugir da realidade, sair desta mesmice que é minha vida.
Nao entendo nada de métricas poéticas, nem de critica literaria acadêmica. Quando vejo um entendido falando de um livro que li, parece que nem lemos a mesma coisa. O livro do leitor é diferente do livro do critico.
Para quem o escritor escreve? Para os leitores comuns, para os criticos entendidos ou para si mesmo? Talvez ele queira apenas satisfazer o proprio ego, pourquoi pas?
Eu falo de livros, nao de forma bonita, estruturada e acadêmica, falo apenas do quanto ele me tocou na alma.
Nao sei escrever, tenho preguiça de revisar o que escrevo aqui, deve ter varios erros ortograficos, sem falar que meu teclado nao é português e faltam alguns acentos.
Ser bilingue me deixou burra em duas linguas, sempre confundo uma com a outra e invento uma nova: frantuguês.
Nao sei me expressar. Queria te convencer a ler o que li, mas nao posso, nao tenho o dom da palavra, nem da escrita. Nao acho complicado ler Dostoievski, so acho complicado o nome dos personagens, impronunciaveis, mas se você ouvir um critico falando deste autor, ele pode te assustar, você vai se sentir pequenininho e burro, você pode pensar que nao entendeu nada do que leu, mas acalme-se, você entendeu sim, do seu jeito, mas entendeu.

Nao sei bem ao certo porque leio, ja que nao leio como os entendidos, também nao sei porque escrevo neste blog, pois acabo sendo prolixa e caotica, mais detalhista que Eça de Queiros e Aluisio Azevedo juntos, ainda desrespeito todo tipo de regras. « Tout ce que je sais, c’est que je ne sais rien »

O jornal 8 terminou aqui, mas acrescentarei um post scriptum com as ultimas do fim do ano e resoluçoes.

Natal em familia

Passei o Natal com minha familia no Brasil - so que nao - Eu estava aqui e eles la, mas o Skype nos aproxima um pouco. A diferença é que la estava um calorao, todo mundo comendo comida boa e eu sozinha, no inverno canadense, comendo comida requentada no microondas.
Meu sobrinho, que nunca me viu na vida real, fala comigo como se fossemos intimos.
Meu pai sempre começa a conversa dizendo: Como você esta linda, filha! (Isso porque estava com roupa de ficar em casa, descabelada e desiludida). Encontre alguém que te acha bonita nos seus piores momentos, desde que ele nao seja seu pai. O problema de ter um pai bacana, é  que tenho sérias dificuldades em relacionamentos, talvez eu busco nas pessoas o que eu vejo nele e ele em mim (maldito complexo de Elektra).
Ele também sempre termina dizendo: "Olha, você sabe que as portas da casa estao sempre abertas, caso queira voltar." Eu me sinto a filha prodiga que deixou do bom e do melhor para pastar na vida e diferente do filho prodigo, nao vou retornar (so de férias - quando eu tiver uma), preferi continuar pastando. Cada dia que passa, eu sou mais "Candide", de Voltaire. Tô vendo meu mundo desabando, mas acho que uma hora melhora, so que piora.

As paredes têm ouvidos

Escuta-se todos os movimentos dos vizinhos nos apês daqui. Quando acordam, quando deitam, quando roncam e quando trepam, bien sûr. No recesso das festas, como quase nao sai de casa, tive que escutar os vizinhos de cima gemendo e batendo a cama na parede no dia 23 às 23h, dia 24 às 14h, dia 27 às 19h40 e dia 28, às 15h10 no banheiro. A mulher parece uma gata no cio e o homem parece um porco. E nao é uma rapidinha nao, o coito é bem prolongado. Eu participo também, coloco uma trilha sonora.

Money que é good...

Joguei na loteria pela primeira vez no Canada. Nao foi desta vez que ganhei os 50 milhoes de dolares. Falei pro meu colega: nao tive sorte no jogo. Ele com aquela resposta de gente de exatas: nao se trata de sorte, trata-se de probabilidade.
Preciso sacar logo meu fundo de garantia, esse presidente tupiniquim nao é confiavel e nao quero deixar nem um real para tras.


Arroz doce colombiano

É feito com uva passas e queijo e é uma delicia.

Resoluçao 2017: Estudar por conta propria

Vou pegar a gramatica do Bechara e estudar de cabo a rabo. Também vou pesquisar e comprar uma boa gramatica do francês e fazer o mesmo. Inclusive comprei estes dois livros, um promete que em 100 dias é possivel escrever sem erros de gramatica, de ortografia e de conjugaçao e o outro ensina a redigir.

Se vou cumprir o que estou prometendo entorpecida de vinho, nao sei. Veremos! Se ao menos eu tivesse uma vida estavel, eu poderia planejar melhor o ano, minha vida, etc.

Decifrando pessoas que chegam neste blog

Nunca entendi este negocio de visualizaçao de pagina por semana e nem o porquê deste blog ter mais visitantes americanos e russos que brasileiros. Conspiracy theory: Tô sendo espionada pelos protagonistas da Guerra Fria or what? Beijo pra você que mora em um desses dois paises. Volte sempre!

Nao tenho Facebook, mas segundo as origens de trafego, alguém linkou este blog por la, nem sei se falaram bem ou mal, porque la so rola treta, independente do que falaram, fez com que as visualizaçoes aumentassem nos ultimos meses. Beijo pra vcs também, facebookiano(a)s que cairam de paraquedas aqui.

Gente que pesquisa bizarrices no Google e ele joga pra ca. Pohan, Gugs, aqui é caos, mas pega leve.


Pornografia vem do grego: pornê (prostituta) e graphê (escrita), significa escrever sobre prostitutas. Atualmente, é todo material escrito, fotografado, filmado, desenhado ou que contenha elementos para excitar seus desejos sexuais.
Depois me conta, o que é mais dificil de achar: uma virgem em um pornô, uma virgem de 18 anos ou uma virgem de 18 anos em um pornô? Acho melhor você procurar unicornios e um bom livro de gramatica e ortografia. #ficaadica

Um poema 

And what is a house anyway?
A structure
standing on foundations
of the body and the covenant of the words.
If first person
says to second person
words like leave me alone
the cracks will open their mouths wide
bring down the walls
and the house will collapse
on its tenants.
(Diti Ronen - poetisa israelense)

Uma musica

I spent a lot of nights on the run
And I think oh, like I'm lost and can't be found
I'm just waiting for my day to come
And I think oh, I don't wanna let you down
'Cause something inside has changed
And maybe we don't wanna stay the same
(...)
And I don't want a never ending life
I just want to be alive while I'm here
And I don't want to see another night
Lost inside a lonely life while I'm here
I got guns in my head and they won't go
Spirits in my head and they won't go
Jornais anteriores:
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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Como falar de masturbaçao feminina na literatura e na musica sem usar a palavra masturbaçao

Conhece-te a ti mesmo!
Oráculo de Delfos 

Eis aqui um apanhado de livros que falam de masturbaçao feminina usando metaforas, metonimias e girias.

"As mulheres são famintas por carícias, e muito pouca gente siririca a Maldita. Entendeste?"
Porno Chic - Hilda Hilst

"Preciso me confessar ao homem de Deus:
cometi gula, ansiei pelo detalhe das fraquezas alheias
e mesmo tendo marido explorei meu corpo"
Adélia Prado - O Coraçao Disparado

"Listen… right down there in your pussy is a little button that gits real hot when you do know what with somebody. It git hotter and hotter then it melts. That the good part."

"I have this special place and when I rub it I get a very nice feeling. I don’t know what it’s called or if anyone else has it but when I have trouble falling asleep, touching my special place helps a lot."
Judy Blume, Deenie 

Ana Cristina César. Quem é que tem himen pra coçar sua doida? rsrs

"Às vezes pensava no quao maravilhoso seria - o traseiro redondo, o ventre suave, essa pele particularmente fina entre as pernas - e começou acariciar a si mesma, na cama, às escuras, imaginando qual seria a sensaçao de alisar uma mulher. Tinha acariciado os seios imaginando que eram os de outra."
Anais Nin - Delta de Venus

Estou em meio a uma emergência de ordem sexual. Minhas mãos estão gastas de tanta siririca
(...)
"Um mês", trato de prometer. “Um mês, isso. Não vou tocar em mim por um mês. Nem mesmo preguiçosamente no banho. Nem mesmo depois de ver a imagem de dois hippies fazendo sexo oral no The Whole Earth Catalog, em que você pode ver o cara enfiando os dedos. Este será meu santo sacrifício para você, ó Senhor.”
Caitlin Morgan - Do que é feita uma garota

"Se vou meramente divagar, talvez devesse simplesmente me aconchegar sob as cobertas, pensar em Miu e brincar comigo mesma. É isso o que eu quis dizer.
Adoro as curvas do traseiro de Miu. O contraste delicado entre o pêlo púbico preto retinto e o cabelo branco como a neve, a bela forma do traseiro em calcinhas pretas pequeninas. Falar de sexo. Dentro de suas calças pretas, seu pêlo púbico em forma de T, tão preto quanto.
Tenho de parar de pensar nisso. Desligar o circuito de fantasias sexuais infrutíferas e me concentrar em escrever."

"Queria morrer de gozo, de prazer, pensando e realizando tudo que sempre lhe fora proibido: implorou ao homem que a tocasse, que a submetesse, que a usasse para tudo o que tinha vontade. Quis que Zedka estivesse também ali, porque uma mulher sabe como tocar o corpo da outra como nenhum homem consegue, já que conhece todos os seus segredos.
Imaginou-se rainha e escrava, dominadora e dominada. Em sua fantasia, fazia amor com brancos, negros, amarelos, homossexuais, mendigos. 
Era de todos, e todos podiam fazer tudo. Teve um, dois, três orgasmos seguidos. Imaginou tudo que nunca imaginara antes – e entregou-se ao que havia de mais vil e mais puro. Finalmente, não conseguiu mais conter-se e gritou muito, de prazer, da dor dos orgasmos seguidos, dos muitos homens e mulheres que tinham entrado e saído do seu corpo, usando as portas de sua mente. 
Deitou-se no chão, e deixou-se ficar ali, inundada de suor, com a alma cheia de paz. Escondera seus desejos ocultos de si mesma, sem nunca saber direito por que – e não precisava de uma resposta. Bastava ter feito o que fizera: entregar-se."
Paulo Coelho, Veronika decide morrer


Bjork procurando sarna para se coçar

Na musica também tem varios hits que falam deste assunto, recomendo ver este site (em ingles): The 13 best pop songs about women masturbating. Destaque para BOB, da Macy Gray que é super fofo, parece comercial de sex shop, morri de rir. Tem Cyndi Lauper (rainha), Pink, Tori Amos, Missy Eliott, Britoca, Pussycat Dolls, Divinyls (eu cantava essa musica nos anos 90 e nem sabia do que se tratava!!!rsrs). O video da B-onça e Minaj, sugiro esse aqui que é ao vivo.

Mudando o assunto de siririca e passando para o sexo oral: A Rihanna reclama de uma cunilingua mal feita em Kiss it better. "Foda-se seu orgulho e chupa essa manga direito, tô esperando isso a noite inteira". (traduçao livre no jeito Ana de falar as coisas)

É isso! Vamos terminar esse ano eroticamente, pourquoi pas? Ta tudo uma bosta mesmo.