domingo, 4 de junho de 2017

Lista de leituras LGBTQ+

Para o mês de junho, LGBTQ Pride Month, decidi ler minha pilha de livros de autores ou de tematica LGBTQ. Claro que nao vou ler tudo isso em um mês, sera um projeto para os proximos 2 ou 3 meses. A maioria sao livros curtos (poesia, teatro e epistolar), os romances ou contos tem em média 150 paginas. Os maiores sao um romance 600 paginas e um de poesia de mais de 900 paginas. Está em ordem alfabética de pais.

Alemanha

  • A Morte em Veneza - Thomas Mann (livro + filme) 

Austria

  • A confusao de sentimentos - Stefan Zweig

Brasil

  • Bom-Crioulo - Adolfo Caminha
  • Morangos Mofados - Caio F. de Abreu
  • Amora - Natalia Borges Polesso

Canada

  • God in Pink - Hasan Namir
  • No Language is Neutral - Dionne Brand
Escócia

  • Girl meets boyAli Smith 


Espanha

  • Poesia Completa - Federico Garcia Lorca

EUA
  • The Danish Girl - David Ebershoff (livro + filme)
  • Hard Times Require Furious Dancing - Alice Walker
  • Queer - William Burroughs 
  • Carol (livro + filme)/ Little Tales of Misogyny  - Patricia Highsmith 
  • Giovanni's Room - James Baldwin
  • Fun Home - Alison Bechdel
  • Cat on a Hot Tin Roof - Tennessee Williams (peça + filme)
  • The dream of a common language - Adrienne Rich
  • Dream Boy - Jim Grimsley
France
  • Poèmes en prose/ La dame à la Louve- Rennée Vivien
  • Thérèse et Isabelle - Violette Leduc
  • Gigi / Camarades - Colette

Grécia Antiga
  • Odes et fragments - Sappho
Inglaterra 

  • Correspondance - Virginia Woolf e Vita Sackville-West
  • Poems of West & East - Vita Sackville-West
Ira
  • If you could be mine - Sara Farizan

Irlanda
  • O Retrato de Dorian Gray (nao censurado) - Oscar Wilde
Italia
  • Poésie en forme de rose - Pier Paolo Pasolini 
  • L'art de la joie - Goliarda Sapienza
Japao
  • Confession d'un masque - Yukio Mishima

México
  • Cartas e poemas - Juana Inés de la Cruz
Nigeria
  • Under Udala Trees - Chinelo Okparanta



sábado, 27 de maio de 2017

Lendo mulher japonesa: Fumiko Enchi

Este é o meu primeiro contato com um livro escrito por uma mulher japonesa. Já li alguns homens: Murakami, KawabataTakuboku e Soseki.
Gosto bastante do cinema japonês, ja assisti à vários filmes do Akira Kurosawa, Hirokazu Kore-eda, Kenji Misoguchi, Yasujiro Ozu, Takeshi Kitano, Hayao Miyazaki, entre outros.
Assisti a filmes dirigidos por mulheres japonesas também, mas ainda nao coloquei aqui no "Mulheres na Direçao". No inverno volto a postar sobre filmes, agora que é primavera-verao e eu preciso sair um pouco.
Titulo: Masque de Femme (Máscara de Mulher)
Autora: Fumiko Enchi
Ano de lançamento: 1958
145 paginas.

O titulo "Máscara de mulher" refere-se às máscaras femininas do Teatro . Como meu conhecimento é bem pobre em cultura japonesa e oriental, tive que pesquisar um pouco sobre esse tipo de teatro, pois o que tinha visto até entao, foi uma cena no filme "Dolls", do Takeshi Kitano (filme lindo!). Vamos ao resumo do básico:
  • significa talento/ habilidade
  • O teatro tradicional japonês foi reconhecido pela UNESCO como patrimônio cultural imaterial.
  • Envolve musica, dança e dramatizaçao.
  • Todos atores sao homens. O que diferencia os personagens masculinos dos femininos sao as mascaras. Elas sao divididas em 5 categorias: homens, mulheres, idosos (dos dois sexos), demônios e espiritos. Dentre estas categorias ha as subcategorias, por exemplo: homem jovem, mulher madura, mulher louca, etc. Somando aproximadamente 250 máscaras.
  • A máscara de espirito vingador feminino tem chifre, o masculino nao.
Par Vassil — Travail personnel, Domaine public


A Profa de Artes Cênicas da USP, Darci Kusano, escreveu este artigo sobre o Teatro tradicional japonês e ela cita um escritor que definiu o teatro Nô da seguinte forma:

"O escritor Yukio Mishima radicaliza e considera o nô uma arte necrófila, um teatro ímpar no mundo, pois começa quando tudo já terminou. Na primeira parte da peça, disfarçado de pessoa comum, o espírito retorna à terra e aparece diante de um ser humano. Já na segunda parte, revela sua verdadeira identidade, geralmente através de uma dança, reencenando o sentimento que mais o marcou em vida: a derrota na batalha, o ódio, o ciúme, o amor não correspondido, a dor de um filho morto e assim, purgar as suas emoções mundanas e alcançar a iluminação."
Esta definição me chamou a atenção, pois o livro segue a mesma lógica do teatro. Começa com este assunto de possessão de espiritos e em seguida todos os outros assuntos que sublinhei.

O livro é dividido em três capítulos, cada um deles representa um nome de uma máscara feminina, sao elas: 

  • Ryō no Onna (A possuida), é  o rosto de uma mulher angustiada e que espera em vao o marido que nunca retornará.
  • Masugami (A dos cabelos longos), representa a princesa louca, errante, no qual seu irmão é vitima do destino. Ter o cabelo longo e bangunçado na poesia japonesa, significa ter o espirito perturbado.
  • Fukai (A poço profundo), é a mascara para o papel de mãe. Seus olhos sao profundos dando a impressao de uma mulher perdida em seus pensamentos.

As principais personagens femininas do livro que fazem um paralelo com as três máscaras citadas sao:

  • Mieko Toganoo, viúva, poeta renomada, diretora de uma revista literária, tem interesse em possessao e espiritismo na literatura classica japonesa, em particular no romance de Genji. Seu filho Akio morreu numa avalanche, ao tentar escalar o Monte Fuji.
  • Yasuko é nora de Mieko e viúva de Akio, ela tem um relacionamento ambíguo com a sogra (tanto intelectual quanto sexual).
  • Harume é irma gêmea de Akio, logo é filha de Mieko. É linda, mas tem problemas mentais.
Os dois personagens masculinos, Mikame e Ibuki, estao apaixonados por Yasuko e ela vai aproveitar disso para um proposito bem inusitado (para nao dizer assustador, horripilante).

Outro fato que me chamou a atençao, foi a forma que a autora descreve a misoginia presente no Budismo, isso é bem claro nas religiões monoteistas, mas nunca tinha prestado atenção a este detalhe nas religiões orientais.
Por exemplo, tem uma parte que fala de um personagem feminino, a Dama da Sexta Avenida, do romance de Genji. Ela é ciumenta e obsessiva, mas as pessoas a viam pelo ponto de vista budista, o "arquétipo do karma feminino nefasto".
Tem outra parte que fala de possessão e poderes xamânicos femininos que foram reprimidos e quase extintos por afrontarem os homens. Entao é citado um termo budista "o karma feminino é uma distraçao, uma loucura passageira, portanto o mal".
Tem uma outra passagem interessante e bem feminista sobre isso:
"Pela questão da paternidade, por exemplo: para ter certeza que o filho  é seu, o homem, durante séculos, acumulou esforços admiraveis, instituindo o crime passional, inventando o cinto de castidade... Mas eles nunca conseguiram desmantelar um segredo de uma mulher. Se Jesus e Buda odiavam as mulheres a ponto de sadismo, era para obrigar a rendição de um adversário contra quem o combate ja estava perdido antecipadamente."
Além do teatro , tem também comparações com a maior obra literária japonesa do século XI, considerada também como o primeiro romance psicológico, Genji monogatari. A autora que traduziu esta obra para o japonês moderno.

Gostei bastante da leitura, super indico. É meio perturbador, porque máscaras ao mesmo tempo que atrai a atenção, também causa um certo desconforto. Tive que fazer pesquisas antes de avançar na leitura, mas valeu a pena. Aprendi um pouco mais sobre uma cultura.

Vou deixar alguns links sobre o teatro , caso alguém tenha interesse (em inglês e francês).

domingo, 14 de maio de 2017

Livro+filme: Breakfast at Tiffany's

Este post é para a discussao do Clube dos Classicos Vivos, ou seja CONTÉM MUITOS SPOILERS!!!!
O livro escolhido pelo grupo este bimestre foi Breakfast at Tiffany's (Bonequinha de Luxo), do Truman Capote. É uma leitura rapida e prazerosa. Porém, o filme e o livro sao duas coisas distintas, se você nao quiser passar raiva, nunca compare um com o outro. O proprio Capote odiou o filme. Eu gostei dos dois, mas ainda prefiro mil vezes o livro. O filme é romântico, com uma atriz fofa e um final feliz, coisa que nao acontece no livro.
A historia é narrada por um escritor que mora no mesmo prédio que Holly Golightly, a protagonista, na década de 40, durante a 2a Guerra Mundial.

Infância e adolescência

Holly Golightly é o nome que ela adotou ao fugir do Texas rumo a Nova Iorque. Seu verdadeiro nome é Lulamae Barnes, orfa e a unica pessoa que ela tem profundo apego é com seu irmao Fred.
Lulamae e Fred fogem da casa. Sao surpreendidos pelas filhas do Doc Golightly roubando leite e ovos. Doc é um homem viuvo, pai de quatro filhos e se casa com Lulamae quando esta tem apenas 14 anos, ela passa a usar seu sobrenome. 
Em pouco tempo ela foge, deixando seu irmao com Doc. Em seguida, Fred entra para o exército e vai para Guerra.
Esta infância dificil, fez com que ela desenvolvesse um "complexo paterno" e so se interessava por homens mais velhos (sugar daddies), de 42 anos para cima. Nao era por amor, era por interesse mesmo.

Nova Iorque

Quando o narrador (cujo o nome nao é identificado como é no filme) chega de mudança no prédio, Holly tem 19 anos, ele faz uma descriçao dela que nao tem nada a ver com Audrey Hepburn que parece uma princesinha, girly e femininissima. Pelo contrario, na aparência ela é uma mistura de Miley Cirus, com cara Delevigne, Kristen Stewart e o personagem de Chloe Sevigny no filme Kids. Segundo a descriçao, ela tinha o cabelo loiro-albino e amarelo, joaozinho (boy's hair), nariz empinado, boca larga. Sem os oculos escuros, ele percebeu que ela tinha olhos meio estrabicos, ora verdes, ora azuis, ora marrons e era magrela. 
"She was still on the stairs, now she reached the landing, and the ragbag colors of her boy's hair, tawny streaks, strands of albino-blond and yellow, caught the hall light. It was a warm evening, nearly summer, and she wore a slim cool black dress, black sandals, a pearl choker. For all her chic thinness, she had an almost breakfast-cereal air of health, a soap and lemon cleanness, a rough pink darkening in the cheeks." 


Ja no comportamento, é uma mistura de Amy Winehouse, com Rihanna, Lindsay Lohan e Britney Spears na época que raspou a cabeça. Vai para as baladas, volta ao amanhecer do dia, fuma cigarro e maconha, bebe, organiza festas no apartamento, incomoda os vizinhos, é noticia de tabloides, cleptomaniaca, trabalha para mafia, engravidou, abortou, foi presa, etc. 
Como as meninas da foto acima, ela também é sexually fluid. Em varias ocasioes ela fala que gosta de lésbicas, quer arrumar uma room-mate lésbica e que ela mesma se considera um pouco lésbica, mas isso nunca foi problema para arrumar homens.

Quando foi presa estava vestida como uma tomboy

Os relacionamentos de amizade mais sinceros que ela tem sao com homens gays, como é o caso do narrador e do dono do bar, Joe Bell que a ajuda a fugir do pais.
O narrador escreve em seu livro a historia de duas moças que moram juntas e ela diz:
Também diz que vai apoia-lo se ele "sair do armario" porque acredita que o amor deve ser permitido independente de gênero da pessoa amada:

Ela passa a dividir o apartamento com uma modelo, Mag Wildwood que se veste com roupas extravagantes e gagueja. Mag namora com um diplomata brasileiro, Jose Yberra-Jaegar. Ela se considera conservadora e nao gosta da franqueza de Holly quando fala de sexo.
Holly namora com Rusty Trawler, um herdeiro milionario, pro-Nazi que ja tinha se divorciado três vezes e estavam juntos apenas pela midia. Em seguida os casais trocam de par, Mag casa com Rusty e Holly passa a viver com o brasileiro e pretende morar no Brasil, mas o relacionamento termina assim que ela é presa por envolvimento com a mafia e uso de narcoticos. Ele quer manter integra sua reputaçao e ela nao serve para ser a esposa do possivel futuro presidente do Brasil.
Ao sair da prisao, como ela ja tinha uma passagem comprada para o Brasil, ela foge para la, nao sem antes pedir uma lista dos 50 homens brasileiros mais ricos. E a moça nao toma jeito nao. Como nao deu certo no Brasil, ela vai para Argentina e arruma um homem rico, porém casado e pai de 7 filhos.
Apesar de Holly ser vida louca, é impossivel nao ter empatia por ela. É uma pessoa solitaria, mesmo estando rodeada de um monte de gente falsa (rats). Quando ela foi presa, todo mundo se afastou, pois nao queriam que seus nomes fossem ligados ao dela.
É uma pessoa que sempre busca a liberdade, ela nao gosta de zoologico porque nao gosta de ver bicho enjaulado. Ela deu uma gaiola de presente para o escritor, mas disse para ele jamais colocar um passaro la dentro.
Também se considera selvagem e impossivel de ser domada. Como ela descreveu seu ex-marido que era veterinario e gostava de cuidar de bichos selvagens, mas segundo ela "nao é bom amar coisas selvagens, quanto mais você se dedica, mais fortes elas ficam e entao correm para floresta ou alçam voos cada vez mais altos. Se você ama uma coisa selvagem, acabara olhando para o céu".

Ela tem um sentimento de nao pertencer a lugar nenhum. Esta sempre em busca de um lugar em que se sente segura e que nada de mal pode acontecer, um lugar como dentro da Tiffany's por exemplo. A identidade/nome é algo importante para ela, tanto que seu gato nao tem nome.
"If I could find a real-life place that made me feel like Tiffany's, then I'd buy some furniture and give the cat a name. I've thought maybe after the war, Fred and I"
"Anyway, home is where you feel at home. I'm still looking" 
Ela ama Nova Iorque, mas nao se sente bem acolhida ou fazendo parte da cidade. Ela acha que vai voltar com os 9 filhos brasileiros para mostrar-lhes as luzes e o rio.

Ela é uma garota sonhadora, uma pessoa agradavel, mas é completamente perdida, sem senso de moral e ética, é uma menina vinda do interior que tenta sobreviver numa cidade grande, tem ambiçoes e toma atitudes sem medir as consequencias. Sente-se totalmente desamparada apos a morte de seu irmao Fred. Algumas vezes é ingênua e as pessoas aproveitam disso, outras vezes é ela a manipuladora que aproveita das pessoas também.
Truman Capote escreve muito bem e nos envolve nesta narrativa.

O filme


O filme foi feito para agradar as familias conservadoras. Em nenhum momento é mencionada a sexualidade dos personagens, criaram um par romantico entre o escritor e a Holly. Alguns personagens do livro nem aparecem no filme.
No livro tem o fotografo japonês, Yunioshi que é um profissional super respeitado. No filme ele é muito caricato beirando ao ridiculo, sem falar que o ator é branco de olhos claros fingindo ser japonês.
japonês fake
O ator que fez o papel do brasileiro é espanhol e nem é tao moreno quanto o descrito no livro, mas pelo menos o nome dele no filme, Jose Silva Pereira, convence mais que o nome no livro, Jose Yberra-Jaegar.
O que salva este filme é a Audrey Hepburn, ela tem classe, charme, é impossivel nao gostar dela.  O George Peppard é bem cute, mas faz o papel do homem que quer salvar a mulher, o bonitinho bem intencionado que quer coloca-la na gaiola (literalmente!).
Também tem a musica "Moon River" na trilha sonora que adoro.

É isso!

sábado, 1 de abril de 2017

Mulher na musica: Madonna

Sou suspeita para falar dela, cresci ouvindo-a. Falta-me completar minha coleçao de CDs com os três ultimos lançados.
Queria escrever textao sobre ela, mas acho melhor deixa-la dizer tudo o que ela tem a dizer. Quem fez o melhor discurso do ano? Pelo menos uma vez por mês preciso assistir a este video para me dar um gas na vida.

Quem foi a melhor convidada do Carpool Karaoke? Com quase 60 anos e cheia de energia, twerkando, sendo flexivel e mostrando que nao existe idade para express yourself. Muito diva!!


Este video experimental "Her-Story" com um monte de mulheres Orlando style (androginas). Lindooo!!!!


Vou fazer um top 15 de musicas que adoro, nao é por ordem de preferência, pois prefiro todas igualmente:

1) O clipe censurado de American Life
2) What It Feels Like For A Girl
3) Frozen
4) Like a Prayer
5) Rain
6) Vogue
7) Justify my love
8) Music
9) Girl Gone Wild
10) Ghosttown
12) Don't tell me
13) Live to tell
14) I'll remember

15) Take a bow
That's it!!!

sábado, 11 de março de 2017

Transtornos alimentares: Alejandra Pizarnik e outras escritoras

Dando continuidade ao Dossiê Pizarnik, hoje vou falar de um assunto que até ouvimos en passant, mas nao vemos muitas discussoes aprofundadas a respeito, mesmo sendo um problema muito recorrente e que atinge principalmente às mulheres.



Os transtornos alimentares, segundo a Medicina, sao varios e classificados no CID-10, de F50 a F50.9:
CID 10 - F50 Transtornos da alimentação
CID 10 - F50.0 Anorexia nervosa
CID 10 - F50.1 Anorexia nervosa atípica
CID 10 - F50.2 Bulimia nervosa
CID 10 - F50.3 Bulimia nervosa atípica
CID 10 - F50.4 Hiperfagia associada a outros distúrbios psicológicos
CID 10 - F50.5 Vômitos associados a outros distúrbios psicológicos
CID 10 - F50.8 Outros transtornos da alimentação
CID 10 - F50.9 Transtorno de alimentação não especificado

Lendo diarios e cartas de algumas escritoras como o da Alejandra Pizarnik, Clarice Lispector e Virginia Woolf, notei que cada uma tinha alguns desses transtornos.

A Clarice Lispector queria sempre estar magra por vaidade e fazia regimes absurdos. No livro Correspondências, ela escreveu nas cartas para o filho Paulo Gurgel Valente:

"Estou fazendo um regime sério para emagrecer e se Deus quiser voltarei ao peso antigo". (Carta sem data) 
"Estou fazendo regime pra emagrecer: em sete dias perdi cinco quilos, e no oitavo estava fraca, comi de tudo, e resultado ganhei dois quilos. Eu mesma não entendo". (maio de 1969)
Ja a Virginia ficava muito nervosa/ansiosa durante o processo de publicaçao de um livro que simplesmente nao conseguia comer, nao era nem por vaidade, é porque a comida nao descia mesmo. Chegou ao ponto de força-la, seguravam-na e enfiavam a comida guela abaixo. Além disso, Leonard e os médicos criaram para ela horarios rigidos a serem respeitados: ela tomava café da manha, de tal hora a tal hora ela escrevia, depois lia/escrevia cartas, almoçava, dava um passeio, lia, jantava.

Ha também o caso da mae da Carrie Brownstein, ela era criança e nao entendia direito porque sua mae estava internada numa clinica pelo fato de nao querer comer, pois tinha anorexia.

A primeira vez que ouvi falar de anorexia, era ainda criança, apos a morte da Karen Carpenter, do "The Carpenters" na década de 80. So que as pessoas falam desses transtornos com desdém, como se nao fosse um transtorno, fosse "frescura", vontade de chamar atençao, etc. A gente fica meio sem saber o que se passa na cabeça de alguém com esse problema.
Porém, lendo o diario da Alejandra que tinha bulimia, pela primeira vez pude perceber o sofrimento de alguém nesta situaçao. Na adolescência, ela ja era obcecada com o peso e passou a ingerir anfetaminas para emagrecer. Ainda misturava isso com outros remédios para outros transtornos mentais que ela tinha, com alcool e cigarro. Vou deixar uns fragmentos, no idioma original, pq nao tenho tempo de traduzir, é de doer no coraçao:
(Tres de la mañana.) Vértigos. Hace una semana que no ingiero alimentos. Hace una semana que la comida me provoca espantosas imágenes.

"mi alimentación disminuye, comienzo a amar la sensación de hambre no saciado. Es más: quiero que el hambre acentúe mi indiferencia, que me envuelva en una nebulosa de olvido. Porque comer normalmente, en mí, es una humillación, es aferrarme a la fuerza a una vida que me rechaza. Y su rechazo es demasiado evidente". 
"¿Cómo llegar a la verdad de mi cuerpo? Estos días tengo hambre, un hambre histérica. Como quien se suicida, así yo como".
 "He comido mucho. Vorazmente. Y leyendo revistas femeninas, folletines idiotas. He comido como quien se masturba".
"Me acabo de pesar. Es una gran desgracia".
"Engordé mucho. Ya no debo angustiarme. No hay remedio. Es un círculo vicioso. Para no comer necesito estar contenta. No puedo estar contenta si estoy gorda". 
"Hoy me pesé. Es el fin. Y he pasado hambre…" 
" El 11 me voy al Uruguay. Si no adelgazo no iré a ver a Clara ni a Orestes. Qué responsabilidad la mía tener que ofrecerle a Clara un rostro que coincida lo más posible con mis retratos, con los cuales poco o casi nada tengo en común". 
"Programa para este año: estudiar, escribir y adelgazar definitivamente, es decir, despojarme de la menor sombra de obesidad". 
"No obstante, trataré de comer lo menos posible: estoy muy asustada por las complicaciones —la operación y demás— que ha traído mi alimentación destructora de estos últimos meses". 
"Estoy comiendo mucho. En una semana he perdido mi esbeltez, que tanta paciencia y dinero y sufrimientos me costó. Comienzo a comer sin hambre y entro en una oleada de automatización. Cuando regreso o despierto o tomo conciencia de mi acto, veo en torno de mí alimentos prohibidos y siento mi ser lleno, ahíto, insoportablemente colmado y odiado. Éste es un problema casi insoluble. Y lo es porque no se puede resolver definitivamente. Hay que luchar todos los días, como Sísifo. Esto es lo que no comprendo. Que la vida contiene días, muchos días, y nada se conquista definitivamente. Por todo hay que luchar siempre y siempre. Hasta por lo que ya tenemos y creemos seguro. No hay treguas. No hay la paz". 
"No tengo que comer. Tengo que aprender a decir no a los alimentos, como si ello fuera lo natural y la única respuesta posible. Así como un cojo diría que no corre porque no puede". 
"Cada vez más obesa. O al menos así lo siento". 
"Descubro que estoy encerrada en mi habitación porque me siento gorda. De lo contrario, hubiera ido a la fiesta de H. P. Pero calculé las calorías de todo el vino que tomaría y decidí quedarme aquí comiendo. Esto es absurdo. Y son solamente tres kilos de más". 
"Ahora sé por qué estoy obsesionada por adelgazar: es una manera de hacerme más pequeña, más infantil. Porque mi cuerpo adulto me ofende. Por algo es que mis pechos son pequeños. Y no lo eran cuando tenía trece años". 
"me fui a la cocina a hundirme en revistas idiotas de cine y folletines y comencé a comer sin hambre. Después vino Nelly B. Me sentí tan culpable de recibirla habiendo comido tanto y leído tantas estupideces, que me sentí enferma y vomité". 
"Me estoy destruyendo con cigarrillos y comida. Mi cuerpo no soporta más".  
"me compré docenas de chocolates que comí como quien se suicida, que vomité para tener espacio y seguir comiendo, envenenándome, anonadándome, aniquilándome".
"durante el día como y vomito, y para disculparme ante mí misma voy a una que otra exposición, para demostrarme que me interesa el arte, y miro los cuadros con un solo ojo porque el otro está en el reloj, para ver —cosa curiosa— cuánto tiempo aguanto mirando pinturas".  
"Por qué me asusta y me horroriza y me lleva a querer suicidarme el haber aumentado tres kilos de peso. Pensar que si los rebajara —no son más que tres kilos— sería casi feliz… Qué poco, y cuánto. Porque para rebajarlos no tengo que comer, para no comer tengo que estar contenta, para estar contenta tengo que mirar un cuerpo delgada en el espejo cuando me miro, para verme delgada tengo que dejar de comer, para dejar de comer tengo que estar contenta…" 
"He visto una foto de Marguerite Duras y me puse contenta. Es pequeña y gorda. «Para escribir no es imprescindible ser una belleza», me dije. Y me alegré". 
"El hecho de haberme engordado como a un animal que se va a devorar en las fiestas se debe a que, inconscientemente, yo sabía que si engordaba no iba a querer salir ni ver a nadie. Y es lo que me pasa ahora. Llamá a X, me digo. Y me miro en el espejo. No, me respondo, la semana próxima lo llamaré, lo llamaré cuando esté más delgada. Y resulta que la semana próxima estoy más gorda".  
"Mi desorden es general. Fraenbel me anunció que estoy enferma por mi desorden alimenticio. «Troubles de la nutrición.» Me dijo que soy como los salvajes de África: ocho días sin comer y después se comen un hipopótamo". 
"Nunca me odio tanto como después de almorzar o cenar. Tener el estómago lleno equivale, en mí, a la caída en una maldición eterna. Si me pudiera coser la boca, si me pudiera extirpar la necesidad de comer. Y nadie goza en esto tanto como yo. Siento un placer absoluto. Por eso tanta culpa, tanta miseria posterior". 
"Me compro un sándwich de jamón y queso y lo como, lo que por otra parte no es un objeto para despedirse puesto que es perfectamente salubre, por lo cual me acerco a una pâtisserie y entro y señalo dos cosas llenas de crema y de colores enfermizos y de gusto a algo que «hace mal». Lo empiezo a comer y descubro que no tengo hambre, que tengo miedo de que me haga mal y yo me desmaye por la calle, antes de entrar, por lo que arrojo los gâteaux y entro al consultorio. Pero lo que me impresionó fue mi urgencia hasta encontrar la pâtisserie: miraba el reloj y me decía: «te quedan ocho minutos para despedirte; ahora te quedan seis» y corría por las callecitas «que conocieron Dante y Rabelais» y seguramente Rilke y tantos grandes, yo corría con la muerte en el alma, no a causa de un vacío metafísico sino porque no encontraba «algo que hiciera mal», un dulce como un veneno, un dulce letal, terrible, que me destruya al instante de ser consumido".

Ela nao so tinha medo de engordar, como tinha vergonha de andar com pessoas gordas:
"Después me llamó Beatriz Tuninetti, esa montaña de prejuicios y de grasa. Me descubrí avergonzada: si me llegaran a ver por la calle con una persona tan gorda. Pero debe ser otra cosa, es decir, mi aversión a la obesidad, que es profundísima. La obesidad me parece una mentira, algo retorcido y triste, como pegar a un niño por un placer sádico. Hay algo obsceno en ella. Oh y tengo tanto miedo de engordar. Quiero reducir mi cuerpo a su verdad. Quiero adelgazar, recuperar más aún mi rostro y mi forma. Esto me importa enormemente."
Amiguinha, se você se encontra nesta situaçao, nao tenha vergonha de procurar ajuda. Transtornos alimentares podem estar relacionados com outros disturbios e para tudo isso tem jeito, tem profissionais especializados para dar todo apoio, viu? Nunca sofra sozinha!!!